12 de março de 2026
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Mais de 10 anos de Linux
Tem mais de uma década que o Linux entrou na minha vida. Foi lá por
A motivação era simples: queria entender como os sistemas operacionais funcionam de verdade antes de entrar na faculdade. O Linux parecia o caminho mais honesto pra isso
O começo? Frustração pura. Driver que não funcionava, Wi-Fi que sumia, comando que eu não entendia. Mas tinha algo diferente nisso tudo. Cada problema resolvido trazia uma satisfação que instalar software no Windows nunca deu. Você começa a entender o que tá acontecendo embaixo do capô, e isso te dá uma sensação de poder absurda.
O meu primeiro contato com o Linux foi bem antes disso, talvez uns 5-6 anos (2008-2009) em um curso sobre manutenção de computadores e lá ouvi pela primeira vez sobre Linux. A primeira distribuição com que tive contato foi o Ubuntu, aprendi a instalar e a formatar uma máquina usando o Ubuntu, o problema é que não conseguia instalar na minha máquina, pois até onde eu me recordo tinha apenas 2 gb de ram (era um computador da positivo) daqueles que o pessoal vendia afirmando que era uma máquina potente, mas, que no final das contas não rodava nem a pau o Ubuntu. Até onde eu consigo lembrar, só conseguia usar o Windows XP e o Windows 7 (na configuração mais baixa possível, meu sonho era poder usar o tema glass dele, mas não ia).
Só fui voltar para o linux em meados de 2013/2014, tinha um notebook melhorzinho da Dell que minha tia havia comprado para que eu estudasse para o ENEM. Foi somente nele que realmente migrei de uma vez para o linux.
Os primeiros anos: a fase do distro hopping
Nos primeiros anos eu trocava de distro toda semana. Era quase um hobby. Achava que existia uma perfeita em algum lugar e que eu só precisava encontrá-la. Formatava, instalava, usava alguns dias, encontrava algo que não gostava e recomeçava. Quem nunca??
Fui percebendo com o tempo que o problema não era a distro: era eu ainda aprendendo o que queria de um sistema. Cada troca ensinava alguma coisa nova, do jeito mais caótico possível (às vezes eu fazia questão de quebrar a distro apenas por alguma frustração ou por simplesmente querer trocar).
As distros que usei
Foram muitas. Quatro marcaram de verdade:
O Ubuntu foi onde tudo começou. Fácil, funcional, com uma comunidade enorme pra quando as coisas davam errado. O Ask Ubuntu e o Ubuntu Forums me salvaram nos primeiros tropeços.
O Linux Mint foi minha casa por muito tempo. Polida e estável, foi onde aprendi a gostar de Linux de verdade. O Linux Mint Forums sempre teve respostas rápidas e gentis.
- Módulo de segurança do Banco do Brasil
- Instalação do Xfce sem adicionais
- Habilitar a edição do Shutter no Mint 18
O Slackware foi uma aula. Sem gerenciador de dependências, sem assistente de nada: você faz tudo na mão. Aprendi mais em duas semanas de Slackware do que em meses em outras distros. O LinuxQuestions.org é a referência da comunidade.
O Fedora é amor, simples assim. A distro que eu mais gosto até hoje. Sempre atualizada, bem mantida, com uma filosofia forte por trás. O DNF é excelente, o suporte a hardware nunca me decepcionou.
Fora essas, passei por mais algumas sem criar nenhum tipo de vínculo:
Debian: eu gosto do Debian, acho que é a distribuição mais importante, o meu ponto com o Debian é simplesmente a estabilidade dele, particularmente gosto de tudo o mais atualizado possível e infelizmente não consigo usar o debian por isso. Parto do princípio que daqui uns anos, quando não quiser nenhum tipo de problema na minha vida, vou usar o Debian como distribuição principal e é isso.
openSUSE: foi a única distro que usei o KDE e que gostei, creio que passei um tempo interessante usando (principalmente o Tumbleweed, que era a versão onde os pacotes sempre estavam atualizados)
Arch Linux: eu amo o Arch, depois do Fedora é minha distribuição preferida (principalmente por ser rolling release) e ainda a utilizo no meu notebook antigo da Dell (já fazem alguns anos que não troco nada nele).
Manjaro: é o manjaro né? Em todas as experiências que tive, foram bem tristes.
Houve outras que sinceramente, apenas vou citar, não tenho boas memórias ou que fazem sentido citar: Artix, MX Linux, Pop!_OS, Zorin OS, elementary OS, Kubuntu, Kali Linux, Peppermint OS, Puppy Linux, Mageia e Deepin.
O amor pelo XFCE
Descobri o XFCE lá pelo meio do caminho e foi quase uma revelação. Leve, rápido, sem frescura. Não tem nada que você não precise, mas também não falta nada pra trabalhar. Usei por anos, em várias distros. No Slackware, no Mint, no Debian, Arch e em muitas outras. Tem uma filosofia de "faz o que precisa sem atrapalhar" que eu respeito até hoje.
Se eu for contar o tempo de uso, mais da metade da minha vida no Linux foi dentro do XFCE. Enquanto eu trocava de distro toda semana, o ambiente gráfico ficava. Era o único fio de continuidade em meio ao caos das formatações.

Linux Mint 18.1 Serena + XFCE (tempo que era um aficionado por quadrinhos).

Esse era um computador da biblioteca da minha cidade que rodava antes com Windows 7 e míseros 1 GB de RAM.

Slackware 14.2 + XFCE (essa para mim foi a conf mais linda que eu já fiz, a combinação de wallpaper + tema foi com certeza a mais elaborada).
O Viva o Linux
Criei minha conta no Viva o Linux em janeiro de 2017, mas já usava o site bem antes. Era lá que eu ia quando tinha um problema e não sabia nem por onde começar. Mais de 270 posts no fórum e 113 comentários depois, ainda é lá que eu volto.
Aos poucos fui deixando de só consumir e comecei a escrever também. Dicas sobre coisas que eu mesmo tinha quebrado a cabeça pra resolver: o módulo de segurança do Banco do Brasil no Mint, o repositório Packman no openSUSE do jeito certo, o Wicd funcionando no Slackware. Coisas pequenas, mas que alguém em algum lugar ia precisar.
O que fica é isso: a comunidade Linux brasileira é generosa. Tive respostas rápidas, aprendi com as discussões e, quando pude, devolvi um pouco disso.
Onde estou hoje
Hoje estou no Ubuntu com GNOME. Pode parecer estranho pra quem me viu passar por Arch e Slackware, mas faz sentido: já provei que sei montar sistemas complexos do zero. Agora o que quero é um sistema que não me faça perder tempo com manutenção. O Fedora continua sendo o amor, mas o Ubuntu ganhou pelo pragmatismo: no trabalho, preciso de algo que simplesmente funciona sem drama, e ele entrega isso sem discussão. O GNOME, que eu evitava anos atrás, amadureceu bastante. Hoje não tenho do que reclamar.
Linux me ensinou que computador não é caixa preta. Que dá pra entender, modificar, quebrar e consertar. Que tem uma comunidade enorme de pessoas construindo coisas juntas sem esperar nada em troca.
Mais de 10 anos depois, ainda sorrio quando alguém pergunta "mas por que você usa Linux se dá trabalho?". O trabalho é exatamente o ponto.