12 de março de 2026
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Mais de 10 anos de Linux
Tem mais de uma década que o Linux entrou na minha vida. Foi lá por 2013, 2014. Quando olho pra trás, é difícil imaginar o que seria de mim sem ele.
A motivação era simples: queria entender como os sistemas operacionais funcionam de verdade antes de entrar na faculdade. O Linux parecia o caminho mais honesto pra isso. E foi, só que acabou sendo bem mais longo e envolvente do que eu esperava.
O começo? Frustração pura. Driver que não funcionava, Wi-Fi que sumia, comando que eu não entendia. Mas tinha algo diferente nisso tudo. Cada problema resolvido trazia uma satisfação que instalar software no Windows nunca deu. Você começa a entender o que tá acontecendo embaixo do capô, e isso muda tudo.
Os primeiros anos: a fase do distro hopping
Nos primeiros anos eu trocava de distro toda semana. Era quase um hobby. Achava que existia uma perfeita em algum lugar e que eu só precisava encontrá-la. Formatava, instalava, usava alguns dias, encontrava algo que não gostava e recomeçava. Quem nunca.
Fui percebendo com o tempo que o problema não era a distro: era eu ainda aprendendo o que queria de um sistema. Cada troca ensinava alguma coisa nova, do jeito mais caótico possível.
As distros que passei
Foram muitas. Quatro marcaram de verdade:
O Ubuntu foi onde tudo começou. Fácil, funcional, com uma comunidade enorme pra quando as coisas davam errado. O Ask Ubuntu e o Ubuntu Forums me salvaram nos primeiros tropeços.
O Linux Mint foi minha casa por muito tempo. Polida e estável, foi onde aprendi a gostar de Linux de verdade. O Linux Mint Forums sempre teve respostas rápidas e gentis.
- Módulo de segurança do Banco do Brasil
- Instalação do Xfce sem adicionais
- Habilitar a edição do Shutter no Mint 18
O Slackware foi uma aula. Sem gerenciador de dependências, sem assistente de nada: você faz tudo na mão. Aprendi mais em duas semanas de Slackware do que em meses em outras distros. O LinuxQuestions.org é a referência da comunidade.
O Fedora é amor, simples assim. A distro que eu mais gosto até hoje. Sempre atualizada, bem mantida, com uma filosofia forte por trás. O DNF é excelente, o suporte a hardware nunca me decepcionou. O Fedora Discussion é ativo e bem organizado.
Fora essas, passei por mais umas dezesseis sem criar raízes de verdade: Debian, openSUSE, Arch Linux, Manjaro, Artix, MX Linux, Pop!_OS, Zorin OS, elementary OS, Kubuntu, Kali Linux, Peppermint OS, Puppy Linux, Mageia e Deepin. Cada uma ensinou alguma coisa, mesmo que fosse só que eu não queria ficar nela.
O amor pelo XFCE
Descobri o XFCE lá pelo meio do caminho e foi quase uma revelação. Leve, rápido, sem frescura. Não tem nada que você não precise, mas também não falta nada pra trabalhar. Usei por anos, em várias distros. No Slackware, no Mint, no Debian, estava sempre lá. Tem uma filosofia de "faz o que precisa sem atrapalhar" que eu respeito até hoje.
Se eu for contar o tempo de uso, mais da metade da minha vida no Linux foi dentro do XFCE. Não é exagero. Enquanto eu trocava de distro toda semana, o ambiente gráfico ficava. Era o único fio de continuidade em meio ao caos das formatações.

Linux Mint 18.1 Serena + XFCE (tempo que era um aficionado por quadrinhos).

Esse era um computador da biblioteca da minha cidade que rodava antes com Windows 7 e míseros 1 GB de RAM.

Slackware 14.2 + XFCE (essa para mim foi a conf mais linda que eu já fiz, a combinação de wallpaper + tema foi com certeza a mais elaborada).
O Viva o Linux
Criei minha conta no Viva o Linux em janeiro de 2017, mas já usava o site bem antes. Era lá que eu ia quando tinha um problema e não sabia nem por onde começar. Mais de 270 posts no fórum e 113 comentários depois, ainda é lá que eu volto.
Aos poucos fui deixando de só consumir e comecei a escrever também. Dicas sobre coisas que eu mesmo tinha quebrado a cabeça pra resolver: o módulo de segurança do Banco do Brasil no Mint, o repositório Packman no openSUSE do jeito certo, o Wicd funcionando no Slackware. Coisas pequenas, mas que alguém em algum lugar ia precisar.
O que fica é isso: a comunidade Linux brasileira é generosa. Tive respostas rápidas, aprendi com as discussões e, quando pude, devolvi um pouco disso.
Onde estou hoje
Hoje estou no Ubuntu com GNOME. Pode parecer estranho pra quem me viu passar por Arch e Slackware, mas faz sentido: já provei que sei montar sistemas complexos do zero. Agora o que quero é um sistema que não me faça perder tempo com manutenção. O Fedora continua sendo o amor, mas o Ubuntu ganhou pelo pragmatismo: no trabalho, preciso de algo que simplesmente funciona sem drama, e ele entrega isso sem discussão. O GNOME, que eu evitava anos atrás, amadureceu bastante. Hoje não tenho do que reclamar.
Linux me ensinou que computador não é caixa preta. Que dá pra entender, modificar, quebrar e consertar. Que tem uma comunidade enorme de pessoas construindo coisas juntas sem esperar nada em troca.
Mais de 10 anos depois, ainda sorrio quando alguém pergunta "mas por que você usa Linux se dá trabalho?". O trabalho é exatamente o ponto.